Agentes de saúde viram bibliotecas ambulantes em Brasília
Em Brasília, agentes de saúde levam, mais do que remédios, um presente que faz bem para a alma. Eles também distribuem livros. O projeto foi criado há dois anos e só existe por causa da boa vontade de quem doa livros, de quem os distribui e de quem aceita o desafio da leitura.
De porta em porta, a missão é orientar as famílias, prevenir doenças. Mas, na maleta, nem sempre tem medicamentos, pelo menos não daqueles tradicionais, receitados pelos médicos. É outro tipo de remédio, sem efeito colateral e que faz muito bem para a cabeça: são livros.
Agentes de saúde se tornaram bibliotecas ambulantes. Os livros, de mão em mão, se espalham tão depressa quanto a fama do projeto. Tanta dor, tanta mágoa, tanto ressentimento, tanta doença, tanta pobreza e, no entanto, o livro, a cultura vem abrir mente, vem abrir portas”, comenta a agente de saúde Maria José de Jesus.
Amigos, vizinhos começaram a doar obras. Já são 560 títulos guardados na sede num cantinho improvisado em uma garagem.
“Tem Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade. Acho que nada substitui a emoção de pegar um livro e ler página por página. Cada página é uma emoção nova”, comenta a agente de saúde Rosângela Tavares.
Aos poucos, muda a rotina da comunidade. Meninos que só saíam da frente do computador para jogar bola agora tem mais o que fazer nas férias. Não é que ler também pode ser divertido?
“É bom porque a gente lê livros e aprende mais”, diz um menino.
A dona de casa Josefa dos Santos nunca ouviu tanta história na vida: “Elas ficam falando: ‘Vó, a senhora também não quer aprender também?’ Eu falo que nunca vi gente velha aprender mais nada, né?”
Alfabetização
O aposentado João Paes aprendeu a ler aos 76 anos com a agente de saúde, que deu uma lição de cidadania.
“Em pouco tempo que ela me ensinou, eu me desenvolvi. Estou muito feliz. Acho que a pior coisa que existe no ser humano, além de doença, é ser analfabeto, é não saber de nada”, comemora o aposentado.