Biblioteca pessoal do sociólogo Gilberto Freyre será restaurada
A biblioteca pessoal de Gilberto Freyre, na fundação que leva o seu nome, será toda restaurada. O autor de "Casa Grande e Senzala", livro fundamental para entender a formação da sociedade brasileira, costumava fazer anotações e marcar trechos dos livros que estava lendo. Esses comentários vão servir para identificar o percurso do pensamento de Freyre.
Há 40 mil exemplares dos séculos 19 e 20 na Fundação Gilberto Freyre (FGF), que fica no bairro de Apipucos, no Recife (PE).
As anotações nos livros, que, para muitos, seria um ato de violência com as obras, são valiosas, explica a coordenadora do projeto, Jamile Barbosa. “São intervenções de Freyre sobre reflexões em torno dos artigos, opiniões dele nos momentos de leitura”, afirma a bibliotecária.
“Elas acontecem em várias fases, em várias décadas, comentários não necessariamente sobre o documento. Há outros especificamente sobre o texto, sublinhados, páginas dobradas. Existe uma ideia geral de que intervenções como essa são uma violência à obra, mas para o pesquisador isso é rico, é o caminho das pedras, constrói o caminhar de Freyre sobre aquele assunto”.
De acordo com ela, com o tempo, as folhas se soltam e as páginas começam a cair dos livros encadernados com grampo ou costurados.
“Temos que ter cuidado na manipulação e fazer periodicamente um trabalho de intervenção, com aplicação de papel vegetal para reforçar as lombadas, acondicionando em caixas, para não modificar tanto o original”, explica Jamile.
“Vamos trabalhar nisso durante um ano, para colocar à disposição dos pesquisadores e cumprir desafios internos, localizar documentos de Gilberto Freyre, como o primeiro artigo dele, publicado na Revista do Norte, e outros originais que estão aqui ‘escondidos’”.